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BBM Tech Summit destacou IA, integração de dados e reforma tributária para otimizar a logística

Evento em São Paulo discutiu como tecnologia e mudanças fiscais impactam eficiência operacional, com painéis sobre automação, governança de dados e experiência do cliente

O BBM Tech Summit 2025, realizado na última segunda-feira (3/11), em São Paulo, reuniu executivos de diversas empresas e especialistas para debater o futuro da logística no Brasil. Os temas centrais foram o uso de inteligência artificial (IA) para aumentar a eficiência, a integração de dados entre empresas e os impactos da reforma tributária no setor de transporte rodoviário de cargas.

Com uma programação de quatro painéis voltados à transformação digital, integração ponta a ponta e e-commerce, especialistas de empresas como TOTVS, AWS, Skyone, Klabin, Copa Energia e Renner discutiram soluções para os desafios do setor.

Na abertura do evento, o CEO da BBM Logística, Agapito Sobrinho salientou que a logística ainda é tratada como gargalo e que a ambição do setor deve ser posicioná-la como um diferencial competitivo para gerar valor aos clientes,. “O avanço da logística é fundamental para a economia do país e os desafios só serão superados com inovação, avanço tecnológico e uma maior integração entre os elos da cadeia logística”, disse.

À frente da moderação dos quatro painéis, Pedro Moreira, presidente da Abralog, destacou a importância do encontro para promover o debate de alto nível sobre tendências globais e práticas nacionais, reunindo cases sobre automação, redesenho de malhas, digitalização e última milha. Moreira alertou ainda sobre a insuficiente prontidão das empresas frente à reforma tributária: “Estimamos que mais de 80% não analisaram os impactos da mudança, que remodelará a infraestrutura logística a partir de 2027”.

Em seguida, Juliana Blumenthal, gerente-geral de marketing da BBM Logística e curadora do Summit, relembrou que o evento surgiu em 2020, em plena pandemia, e agora chega à quinta edição. “A cada ano, temos a satisfação de contribuir para o fortalecimento da logística e do transporte brasileiro, promovendo discussões fundamentais sobre transformação digital e inovação”, afirmou a executiva.

Eduardo Orfão, CFO da BBM, detalhou o atual posicionamento da empresa no mercado: um dos 10 maiores operadores logísticos do Brasil em faturamento e capilaridade, com 76 unidades espalhadas pelo País. Ele destacou o compromisso da companhia com investimentos contínuos em tecnologia: “Destinamos 5% da receita bruta anual à inovação, com foco em ampliar automação, eficiência operacional e qualidade do atendimento em todas as nossas unidades”.

Dando sequência, Francieli Tartari, CIO da BBM Logística, destacou que a área de TI tem papel estratégico para gerar valor ao negócio e aos clientes, apoiando a operação logística com ferramentas que potencializam a eficiência e garantem a agilidade necessária para acompanhar a dinâmica do setor. A executiva pontuou que tudo isso só é possível com uma boa gestão de pessoas. “O sucesso de cada projeto é resultado da colaboração de um time alinhado e engajado com resultados. Quando conseguimos o alinhamento certo entre talentos e iniciativas, fazemos a diferença para o negócio”.

Inovação e impacto da reforma tributária no setor

O primeiro painel de debate do encontro teve como tema, “A nova rota da logística: tecnologia como motor da eficiência operacional e impactos com a reforma tributária” e teve a mediação de Moreira e co-mediação de Francieli. Participaram do bloco Angela Telles, diretora de manufatura e logística da TOTVS, Rodrigo Purchio, Head de desenvolvimento de negócios de automotive e manufatura da AWS na América Latina e Roberto Arruda, Chief Revenue Officer (CRO) da Skyone.

Todos concordaram que a eficiência logística depende da orquestração de dados de diferentes sistemas e o uso de IA para otimizar processos. Além disso, ressaltaram que é fundamental integrar sistemas de gestão (ERP), de transporte (TMS) e de rastreamento para ter uma visão completa da cadeia.

Os participantes também convergiram sobre priorização de integração, qualidade de dados e letramento como pré-requisitos para ganhos em eficiência e produtividade.

Purchio, da AWS, comentou como análises preditivas já ajudam a Amazon a prever demandas e otimizar estoques a partir de bases de dados com informações confiáveis sobre a operação, enquanto Arruda, da Skyone, alertou sobre a importância de padronizar dados e superar barreiras culturais para adotar a automação de forma eficaz, tendo como objetivo principal melhorar a produtividade e eficiência operacional.

A reforma tributária foi o ponto central do debate. Os participantes destacaram que ela muda a lógica de cobrança de impostos do local de origem para o de destino. Na prática, isso exigirá que as empresas redesenhem suas rotas e centros de distribuição para se manterem competitivas.

Angela, da TOTVS, pontuou que a mudança tributária exige revisão estratégica de localização e fluxos, além de atualizações de sistemas para conformidade desde janeiro, sob cronograma de transição legal.

Casos de inovação na prática

O segundo painel apresentou casos práticos de empresas que usam analytics e IA para melhorar a visibilidade de suas operações. A principal mensagem foi a importância de começar com projetos piloto, medir os ganhos de eficiência e só então expandir o uso da tecnologia.

O debate, co-mediado por Juliana, teve como tema a “Inovação: cases de transformação digital na logística do varejo e indústria” e reuniu Newton Novaes, sócio da Simões Pires Advogados, Diego Alexandre, CEO e fundador da Dati, e Gustavo Pasqualin, gerente nacional de logística da Klabin.

Os painelistas discutiram sobre a evolução do uso da IA nas empresas, plataformas de análise de dados, data lakes e predição quase em tempo real para otimizar estoque, entregas de última milha e decisões táticas de logística.

Outro assunto levantado foi a aceleração de integrações com agentes de IA MCP (agentes de IA que utilizam o Model Context Protocol para se conectar de forma padronizada a sistemas, APIs e dados externos) para reduzir prazos de integração de meses para semanas.

Governança de dados e visibilidade de ponta a ponta

O terceiro painel intitulado “Conectando ponta a ponta: integração e visibilidade em tempo real” focou em governança de dados e contou com a participação de Renata Freesz, Head de Inovação da Klabin, Leid Zejnilovic, professor e especialista em IA e transformação digital da Nova School of Business and Economics, e Claudia Marquesani, CIO da Copa Energia.

A discussão inicial foi sobre como a área de TI pode atuar como uma facilitadora, garantindo a segurança das informações e definindo as prioridades de investimento em um ambiente onde os dados são cada vez mais acessíveis.

A pauta incluiu ainda uso de telemetria, integração de ERPs, TMS e rastreamento em tempo real, além de programas corporativos de inovação e governança para difundir padrões e interoperabilidade.

Foi discutida também a democratização do acesso a dados em ambientes seguros, com papéis claros de TI e negócio, e a importância de métricas de nível de serviço, visibilidade de ponta a ponta e sincronização entre armazenagem, transporte e atendimento para sustentação de vantagens competitivas para as empresas de logística.

Logística inteligente para entregas eficientes ao consumidor

O último painel tratou da experiência do cliente, com foco no last mile (a etapa final da entrega). Intitulado “A última milha da experiência: logística inteligente no centro do e-commerce”, o painel contou com a participação de Thammer Manzoni, Diretor da Nuvem Envio no Brasil, Marx Câmara, executivo de Logística da Renner e Augusto Ghiraldello, CCO e cofundador da Invent.

Os painelistas compartilharam estratégias para unificar sistemas e oferecer mais previsibilidade ao consumidor. O debate também incluiu a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), com a recomendação de simplificar o compartilhamento de informações entre parceiros da cadeia logística.

Os participantes também debateram sobre roteirização, seleção dinâmica de transportadores por encomenda, SLA, custo e capacidade, além de integração com marketplaces e mudanças do comportamento do consumidor. Manzoni, da Nuvem Envio, detalhou o modelo de orquestração com 29 transportadoras, incluindo a BBM, com seleção automática baseada em desempenho, custo e janela operacional, e destacou o uso de analytics para acomodar sazonalidade e picos.

Foram discutidos ainda modelos de automação e o papel da IA para encurtar ciclos decisórios e apoiar decisões de trade-off entre custo, prazo e experiência, considerando a pressão por rastreabilidade e conveniência nas compras sociais e no frete subsidiado.

A conclusão final do evento reforçou a mensagem de que o futuro da logística depende da combinação entre tecnologia, processos bem definidos e pessoas capacitadas.

Com a iminente mudança tributária, a capacidade de usar dados para redesenhar operações de forma inteligente será o principal diferencial para as empresas do setor.

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